Os perigos da mesoterapia no tratamento contra a celulite

Na luta para conseguir se livrar da celulite, as mulheres se deparam com os mais variados tipos de tratamentos e soluções milagrosas. Massagem com escova especial, esfoliação com grãos de café, hidratantes e loções que prometem reduzir medidas, etc. Ao longo dos anos, um dos métodos de tratamento da celulite que se consolidou dentre os mais populares nas clínicas estéticas foi a mesoterapia.

 

O que é mesoterapia?

Originalmente utilizada como um método para tratar situações de dor, a mesoterapia surgiu na França e é reconhecida como tratamento estético desde 1987. A técnica consiste em aplicações medicamentosas na pele, por baixo dela e no músculo. O tipo de medicamento depende do que se deseja tratar e é utilizado em deficiências dermatológicas em geral. As substâncias são combinadas de acordo com os objetivos e necessidades dos pacientes, e as mais utilizadas são: Hialuronidase, Tiratricol, Xantina, Derivados de alcachofra, Derivados de Girassol e Cafeína. A maioria dessas substâncias é sintética.

 

Qual o efeito da mesoterapia na celulite?

Segundo esteticistas que aplicam a mesoterapia em seus clientes, uma combinação de medicamentos lipolíticos é introduzida no local onde há celulite concentrada, que supostamente quebrariam as células de gordura, promovendo o emagrecimento naquela área.

O tratamento costuma ser realizado em mais ou menos dez sessões, distribuídas em cerca de duas semanas. O nível de dor normalmente é baixo, entretanto, alguns pacientes necessitam de um anestésico tópico para que consigam se submeter ao procedimento.

A mesoterapia é diferente de outros tratamentos contra celulite não-invasivos porque envolve injeções. Ela está no meio caminho entre os tratamentos não-invasivos e os procedimentos cirúrgicos. Os efeitos colaterais mais comuns são dormência, coceira, inchaços, hematomas e descoloração da pele no local das aplicações. Além disso, algumas pessoas também acabam com cicatrizes permanentes, deformações na pele e nódulos profundos e dolorosos.

 

Cuidado com a publicidade enganosa!

Muitas clínicas e dermatologistas brasileiros divulgam os resultados da mesoterapia através de fotos retiradas de outros sites (de pacientes que foram submetidos a outros tratamentos ou que simplesmente começaram a se exercitar), de fotos que foram modificadas em programas de edição de imagens ou que receberam iluminação diferenciada.

Além disso, vários sites apelam para uma linguagem emocional, tocando nos “pontos fracos” das pessoas: afirmam que a celulite causa baixa auto-estima, estimula o medo do ridículo, afeta as relações amorosas e a libido, limita a diversão e a participação das pessoas em atividades que envolvem o uso de roupas curtas, além do estresse causado pela constante preocupação em escondê-la.

Tais afirmações podem ser verdadeiras até certo ponto, mas a baixa auto-estima está mais relacionada à visão que a pessoa tem de si mesma do que com a realidade. Ou seja, os problemas emocionais ocorrem independentemente da pessoa ter celulite ou não. E utilizar desse tipo de apelo para vender produtos (em sua maioria inúteis) é extremamente antiético.

 

Os perigos da mesoterapia

Na década de 90, quando a mesoterapia começou a ser realizada no Brasil, uma das primeiras substâncias usadas foi a fosfatidilcolina. Entretanto, o medicamento acabou sendo proibido de ser utilizado para fins estéticos, porque não há estudos clínicos que comprovem sua segurança. Apesar disso, a mesoterapia ainda continua sendo realizada com outras substâncias aqui no Brasil. O Conselho Federal de Medicina (CFM) está elaborando um manual de publicidade médica com o objetivo de diminuir os abusos da medicina estética (uma especialidade não reconhecida pelo órgão).

Na Europa, a França definiu como arriscados os tratamentos estéticos para eliminar a celulite e a mesoterapia foi proibida por causa do risco de causar sérias infecções. A Alta Autoridade de Saúde do país relatou complicações graves em 23 pacientes. As conseqüências foram necrose, hematomas e trombose.

Na Espanha, 28 mulheres foram infectadas por uma bactéria em um tratamento de mesoterapia e tiveram que tomar antibióticos por um ano. Algumas delas sofreram lesões irreversíveis, e a Associação de Defesa do Paciente moveu ação judicial em defesa das mulheres. Veja o trecho abaixo extraído de um artigo presente no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (link: https://www.sbcd.org.br/pagina/1799):

— Estas técnicas, principalmente aquelas que necessitam de infiltração, oferecem risco. São um perigo desnecessário de infecção e de incontáveis efeitos adversos. Sem mencionar que os resultados, se é que existem, são temporários — diz Carmen Flores, presidente da Associação de Defesa do Paciente, na Espanha.

Nos Estados Unidos, o FDA (Foods and Drugs Administration, órgão americano responsável pelo controle de alimentos, medicamentos, cosméticos e outras substâncias), emitiu em julho de 2010 um aviso advertindo contra as afirmações feitas sobre qualquer droga injetável para eliminar gordura. Janet Woodcock, membro do FDA e diretora do Centro de Pesquisa e Avaliação de Drogas, declara (O texto completo pode ser acessado pelo link: http://www.fda.gov/downloads/ForConsumers/ConsumerUpdates/UCM207620.pdf):

Nós estamos preocupados que estas empresas estejam enganando os consumidores. É importante que todos que estejam considerando passar por tal procedimento entendam que os produtos utilizados para dissolução de gorduras não são aprovados pelo FDA para este fim.

 

Fique atenta!

A mensagem que gostaríamos de transmitir é clara: não caia em armadilhas criadas pelas propagandas de clínicas estéticas sem ética e profissionais que desejam apenas ganhar dinheiro às custas do sofrimento de outras pessoas. A celulite é um problema que incomoda, mas a mesoterapia (ou outros tratamentos que promovem a suposta “dissolução” de gorduras) não é a solução fácil e rápida que você está procurando.

 

 

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